quinta-feira, 28 de maio de 2009

VESTIDINHO VERMELHO


Eu não a vi naquele dia. Mas sei que ela estava linda, estonteante. Seus olhos brilhavam com um ardor intenso, e sua boca trazia um sorriso doce, alegre, apaixonante. Ela estava num lindo e atraente vestidinho vermelho, que misturava seu jeito de menina com um ar de mulher, numa combinação perfeita...
Contudo, eu não a vi naquele dia. Era um dia especial, mas eu não a vi. Apenas ouvi sua voz. Era uma voz doce, tímida, que não tinha muito o que dizer naquela hora. Na verdade, nós dois não tínhamos muito o que dizer, apenas trocamos algumas poucas palavras, tropeçamos em outras e só. Foi engraçado. Até meio estranho.
O que eu não podia imaginar é que seus lindos olhos algum dia olhariam pra mim com aquele ardor, que sua linda boca um dia beijaria a minha, que um dia veria seu jeito de menina misturado ao seu charme de mulher bem pertinho de mim... Não imaginava que um dia eu seria louco por ela como hoje sou...
Só não a vi ainda com o vestidinho vermelho... Quem sabe um dia...

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Perseguição Noturna


Comecei a correr no meio daquela rua deserta. Era madrugada, só havia prédios comerciais em volta, e por isso nenhum movimento humano. Os guardas noturnos, com aquele seu apito ridículo, raramente apareciam por aquelas bandas.Enquanto eu corria, podia sentir o bafo quente no meu pescoço, ele estava perto. Comecei a pensar se eu não devia ter procurado um psiquiatra pra resolver meus problemas, assim como me aconselharam meus amigos. “Mui” amigos. Onde estavam eles agora? Com certeza tomando uma em algum dos bares agitados da cidade. Não estavam nem ai pra mim. Sei lá o que eles queriam. Acho que apenas livrar-se de mim. Um maníaco compulsivo, desequilibrado. Eu até tentei procurar um psiquiatra. Ele começou a fazer perguntas e mais perguntas, as primeiras eu respondi tranquilamente, mas depois, nada fazia sentido, o cara não dizia coisa com coisa. Não, o louco ali não era eu, levantei-me e fui embora: ele ficou ali falando sozinho.E eu, um maníaco compulsivo, desequilibrado. Mas não sou assassino. Não sou homicida. Posso ter minhas manias: saio pelo mesmo canto que entrei, morro de medo dos germes, tenho mania de arrumação e fico muito, mas muito bravo quando falam mal dos meus gibis ou dos meus DVDs de desenho animado! Um cara de trinta anos não pode gostar de coisas infantis? Não gosto de bater em ninguém, a não ser por um motivo extremamente relevante. A última vez que bati em alguém foi quando debocharam do meu boné do homem aranha, acho que há uns dois meses atrás. Pow, era o boné do Spiderman!! Paguei caro por ele!! E ainda vem um safado pra tirar onda comigo!! Merece apanhar mesmo!!Só que naquele exato momento não tinha mais boné nem ninguém pra me atazanar por causa dele. Havia apenas eu, a escuridão, os prédios, e o perseguidor. Passei a me questionar se havia mesmo o perseguidor ou se era a minha imaginação. Não, não podia ser a imaginação, eu vi, eu sei que vi. Tomei coragem e, sem parar de correr, dei uma olhadela para trás. Eu vi – por poucos segundos, mas vi – dois olhos vermelhos enormes, olhando pra mim com um ódio terrível, implacável, cada vez se aproximando mais, e ainda pude ouvir um rugido que parecia uma... sirene? Não, era um rugido como de um leão ou alguma outra fera voraz pronta pra me fazer seu prato principal!!Quando voltei a olhar pra frente enxerguei um beco escuro. Perfeito!! “Ali eu vou me esconder e vou estar seguro, a fera não vai me ver, e se me vir, não terá como me alcançar, ela é grande demais pra entrar no beco!! Agora é torcer pra ela não saber cuspir fogo!! Que não seja um dragão cuspidor de fogo ou que não me veja entrar no beco!!!!”Não hesitei mais e corri freneticamente pra dentro do beco sombrio. Achei um latão de lixo daqueles enormes, e me joguei dentro dele. Observei pela fresta do latão. Vi o brilho dos olhos da fera se aproximar. Torci para que passasse direto. De repente, parou. Os olhos estavam voltados para mim, a alguns metros de distância, na entrada do beco. Percebi que ela não podia entrar, era grande demais, como eu pensei. Esperei que ela desistisse, e que não inventasse de me queimar com a sua chama devastadora. Por alguns segundos ela não me atacou. Não sabia se isso era bom ou ruim. O que se pode esperar de uma fera assassina? Aqueles momentos de imobilidade foram interrompidos por discretos movimentos, no interior do beco. Mas não era a fera. Ela continuava lá, imóvel. O beco estava escuro e eu não estava conseguindo entender o que se passava. Após alguns segundos, pude enxergar o que era: duas pequenas... feras!!! Dois filhotes da fera!! Eles eram menores, mas não menos assustadores, e eram pequenos o suficiente pra entrar no beco!! Eu estava perdido!! Iria me ferrar!!! Estava cercado, iria ser devorado, sem sal nem tempero!!Mas tive sorte. Ainda senti o dente da pequena fera se encravar no meu braço, como se fosse uma agulha. Não agüentei a pressão e desmaiei. Quando acordei estava aqui neste hotel. É um hotel meio estranho, a janela tem umas barras de proteção que fazem parecer uma prisão, acho que é por segurança, pra evitar assaltos ou que alguém estranho entre no hotel ou coisa assim. A porta é de metal e só tem uma abertura retangular pela qual de vez em quando alguém fica olhando pra mim. Quando eu for à recepção, tenho que me lembrar de reclamar disso, preciso de privacidade, não gosto de ninguém olhando pra mim. De vez em quando vem um rapaz vestindo um jaleco branco – uniforme estranho pra um funcionário de hotel, mas deve ser moda, não há o que se fazer – que me traz comida ou então me leva pra dar uma volta pelos corredores e pelo jardim do hotel. Conheci alguns hóspedes do hotel nesses meus passeios, tem gente boa aqui. Outro dia eu estava conversando com um tal de Napoleão, como era mesmo o sobrenome...? Ah, lembrei: Bonaparte, Napoleão Bonaparte. Ele me disse que pretende conquistar o Mundo. Pode ser que consiga, ele é inteligente. Vai saber, né?Perguntei ao rapaz de jaleco o que havia acontecido aquela noite, quando eu fui perseguido pelas feras. Ele disse que eu confundi a ambulância com um dragão ou coisa parecida, e os enfermeiros com filhotes do dragão. Eu ri da cara dele. Ridículo. Querendo me enrolar. Eu sei o que houve. O governo sabia das feras, era um segredo do Departamento de Segurança Nacional. Eu descobri o segredo, então eles têm de me manter calado e protegido. Por isso estou aqui. Deve ser um programa de proteção à testemunha. Eles pensam que me enganam. Eu, confundir ambulância com dragão? É de rir mesmo. Eles estão ficando loucos.


Jackes Vieri


Publicado no Recanto das Letras em 05/06/2008(www.recantodasletras.com.br)

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

TESTE VOCACIONAL



Esse negócio de Blog dá trabalho. Falta tempo pra escrever, embora ninguém leia esse negócio mesmo.

Achei um teste vocacional interessante, so pra quem faz direito. Está no www.minhavocacao.com.br. Quem tiver curiosidade, que faça. O meu deu advocacia. Abs.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Quando escrevi isso não tinha o que fazer


- Vai te lascar - gritou a mulher, enraivecida.
- Vá você, sua desesperada!!! - retrucou o camarada.
- Pague meus dez real!! E pague ligeiro!! - gritou de novo a mulher.
- Pague a moça, meu fio! - disse o velhinho que estava sentado à mesinha de dominó em cima da calçada do lado do barzinho que ficava na esquina da rua da lotérica com a rua do Cruzeiro, bem no fim da ladeira do esquisito.
- Homi, eu não devo nada a ela não!
- Deve sim - disse a moça. Você prometeu!!
- Você pediu dinheiro para comprar comida. Dez reais. Eu disse que ia dar, mas ai resolvi fazer umas compras no Supermercado pra você: comprei pêra, uva, maça, salada mista, feijão, arroz, carne, frango, batata inglesa, brasileira, escocesa, japonesa, etc, etc etc, comprei roupa pra você numa loja, levei você pra passear, te dei do bom e do melhor e você me cobra dez contos?
O velhinho que estava sentado à mesinha de dominó em cima da calçada do lado do barzinho que ficava na esquina da rua da lotérica com a rua do Cruzeiro, bem no fim da ladeira do esquisito olhou para a mulher e disse:
- Vai te lascar!!!!!!!!!!!!! Depois olhou pro camarada e disse:- Me dá dez real?

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

CIÊNCIAS CRIMINAIS E DIREITOS HUMANOS


Não poderia deixar de tecer algumas considerações acerca do X Congresso de Direito da Faculdade de Direito de Caruaru - ASCES. O Tema abordado foi Ciências Criminais e Direitos Humanos - Reflexos e Perspectivas. Bastante atual, o Congresso foi interessantíssimo para quem, assim como eu, tem paixão pelas Ciências Criminais.
Apesar de alguns entraves - atrasos para começar os trabalhos e o fato de alguns palestrantes não saberem ou não quererem prender a atenção do Público formado por iniciantes na carreira do Direito, e não Doutores ou Mestres que acompanham Conferências na Europa ou seja lá onde for - a presença de alguns grandes nomes do Direito já valeram a pena.
Além do badalado Cezar Roberto Bitencourt, cuja palestra, confesso, não pude acompanhar porque começou muito tarde e eu não pude ficar, o Congresso contou com a presença de outros grandes nomes, dentre os quais, destaco: Cláudio Brandão, Ana Sabadell, Aury Lopes Jr e o Homenageado do evento, Roque de Brito Alves. E não posso esquecer de citar também Bruno Galindo, que foi meu professor de Direito Constitucional, cujo blog, aliás, eu recomendo: http://www.direitoecultura.blogspot.com/. Sem menosprezar os outros palestrantes, esses foram os que estiveram em destaque. Gostei também das intervenções de Gustavo Batista, professor da UFPB.
Surpreendeu-me o fato de que o Professor Dr. Roque de Brito seja mais respeitado na Europa do que em nosso País. Mas realmente é verdade, porque, confesso, anteriormente, pouco tinha ouvido falar nele. O que é uma pena, pois ele realmente é fantástico, de uma inteligência tremenda. (E eu também ainda não sou Profundo conhecedor deste Mundo Acadêmico)
Interessantíssima a palestra de Ana Sabadell sobre "Sistema prisional e violação de direitos fundamentais das mulheres no Brasil".
Não posso deixar de colocar em destaque a palestra de Aury Lopes Jr. Com linguagem despojada e direta, ele conseguiu conquistar a platéia. Mas ele não é apenas um Showman. Tem um conteúdo vasto. Estupefato, vi aquele cara destruir quase todos os Princípios do Processo Civil aplicados comparativamente ao Processo Penal. Além de pôr em cheque Princípios característicos do Processo Penal, como a Verdade Real - apresentada por ele como um princípio que prejudica a imparcialidade do juiz. Recomendo também o site dele: http://www.aurylopes.com.br/, tem vários artigos interessantes.
Enfim, apesar dos pesares, valeu mesmo participar deste congresso, que ficará em minha mente, assim como, acredito eu, nas mentes de todos que desenvolvem verdadeira paixão pelo Direito Penal e Processual Penal.

domingo, 16 de setembro de 2007

Eis que inauguro este instrumento de discussão e ampliação do conhecimento. Pelo menos espero que para isto sirva. Em breve estarei trazendo informação, cultura, lazer, informações acerca de temas atuais como Sociedade, Política, Cultura e Música, Direito e Economia. Não que eu seja conhecedor profundo desses temas. Apenas busco um meio interativo de compartilhar com os outros o pouco que tenho, além de absorver daqueles que interagem, um pouco também do conhecimento que possuem. Enfim, este é um meio de trocarmos idéias, pensamentos, conhecimentos, adquirindo, assim, uma ampla e Profunda Visão de Mundo.